dimanche 10 juillet 2011

Insegurança


Ela já nem me lembrava mais de como era aquele silêncio.

Então percebeu que, apesar de tudo, ela sentia falta dos tempos de não fazer nada. Sem livros. Sem músicas. Sem rabiscos. Sem ninguém. Os tempos em que ficava ali quietinha num canto, sentindo o vento bater e remexendo nos cadarços sujos de seu tênis. Era tão... leve.

É tão mais fácil quando não há pessoas... Você não precisa se preocupar com a sinceridade.
Mas ela já não conseguia ser indiferente. E aquilo se tornara importante para ela.

Se tornava.

A cada dia mais.

Ela tinha tanto medo de se enganar...

"Laissez, laissez mon coer s'enivrer d'un mensonge,
(Semper Eadem - Charles Beaudelaire)

samedi 25 juin 2011

Baú de Memórias


"... e quanto a ser alguém capaz de dizer de facto e exatamente o que se sente ou pensa,

imploro-te que não acredites, não é porque não se queria, é porque não se pode.
[...] É só o que podemos fazer, falar, falar..."


Desde o início, eu nunca me esqueceria de seus óculos. Óculos grandes de lentes amareladas. Nunca me esqueceria de sua boca pequena e do “batom 24h”. De seu cabelo curto e sempre cheio de bobes, do lenço sempre na cabeça. Da sua elegância e do seu incansável bom humor. Abrindo o portão, nada mais importava até que estivéssemos em seus braços, mergulhados naquele abraço apertado e quente onde o universo poderia caber com folga. Aquele abraço inexplicávelmente aconchegante onde desejávamos permanecer sem jamais ter de desatar os braços. Era Abraço de Vó.

Desde o início, eu sabia, ficaria era o som de sua risada... De sua voz já pouco me lembro, mas daquela risada... Ainda posso ouvi-la. Posso ver seus ombros balançando em sua gargalhada gostosa e alta, aquela gargalhada que fazia qualquer um rir também. É que, no fundo, nada mais importaria enquanto ela estivesse ali. Ela que, sozinha, enchia a casa. Ela que, sozinha, era companhia de todas as formas: colega, amiga, prima, tia, mãe, vó... Engraçado como, mesmo hoje, não posso distinguir os cinqüenta anos que nos separavam: ela era como uma de nós. Vestíamos seus sapatos, passávamos seus batons, ouvíamos suas histórias, cozinhávamos e conversávamos antes de dormir sem perceber o quão extraordinário aquilo era. Ela não tinha medo de ser, e faria o que quer que pensasse certo, desde que, com aquilo, pudesse fazer alguém sorrir. E por isso não haveria tristeza ou escuridão, porque saber que ela estava ali mudava tudo, fazia algo crescer por dentro, algo que proibia qualquer indiferença, e que dissiparia qualquer mágoa ou medo. Perto dela, tudo era mágico, mágico de uma forma que palavra alguma poderá conter, apenas porque nem mesmo em todas elas caberia toda a imensidão daquele mundo, só nosso, existindo simplesmente porque ela estava ali – fazendo-o real. Aquele mundo a que chamávamos Casa de Vó.

Desde o início... ah, como me esqueceria de seu jeito? De andar, de olhar... Seu jeito de chamar-nos para perto batendo nas pernas, de puxar-nos para o seu colo sem que pensássemos em desviar, afinal, o buscaríamos de qualquer forma, não precisávamos de convite. Ali estávamos sempre aquecidos e protegidos, seguros de qualquer coisa – mesmo sem saber de quê. Aquele colo morno, irresistível como Colo de Vó.

Perto dela aprendi que respeitar não é temer. Que a educação não precisa vir amarrada à discrição ou ao silêncio. Naquele pequeno universo ao seu redor nós éramos livres, bem vindos a qualquer momento, sem receios, podendo ser quem quiséssemos. Podendo ser apenas nós. Porque, sabíamos, não importa o que houvesse, ela sempre estaria à nossa espera com um sorriso sincero, um abraço apertado, e um cheirinho gostoso de algo no forno.

Desde o início... eu nunca imaginei que ela não estaria ali...

Quando crianças, o mundo se nos apresenta como algo imutável, com cheiro de eternidade. Acho que não era bem assim... Felizes de nós, que tínhamos você. Felizes de nós, porque para você sempre haveria tempo para novos planos, para novos sonhos. Antes de você, nunca me havia passado pela cabeça que as coisas pudessem chegar a um fim. Eu acreditei que poderíamos fazer outro dia aquilo que, de cada vez, o tempo nos impedia de terminar. Acreditei que sempre haveria mais festas na escola, mais bolinhos de chuva, mais cabaninhas, e até mesmo mais orações antes de dormir. Eu acreditei que sempre poderia te ver mais uma vez.

Mas antes que eu percebesse, antes de poder entender o tamanho daquilo, eu abri o portão e não vi um abraço do outro lado. O seu cheiro estava ali, mas não adiantava correr pelas portas e abri-las todas... porque eu não te encontraria, não é? E eu soube que aqueles dias jamais me sairiam da cabeça e que, ao pensar neles nos próximos anos, tudo se faria silêncio de repente.

Ô Vó... Não sei que vento te levou. Não sei o que sentir por ele ou como chamá-lo. Só sei que ele ainda passa por aqui, vez por outra... E que, quando ele bate, traz consigo aquela sensação esquisita: Mágica e distante. Quente e irreal. É engraçado que s pessoas tenham a terrível mania de diminuir tudo aquilo que perdem ou deixam ir. Eu mesma já não sei o que havia de diferente e que me fazia gostar tanto. Ainda assim, lá no fundo, sempre que penso nas festas da escola, em sua voz no escuro do quarto, ou nos tais óculos amarelos, algo se contorce e aperta, e eu sinto que, por algum motivo, aquilo era especial. Era algo que jamais terei de novo. Algo único.

Era felicidade.



"... as palavras não dizem o que deveriam, são de mais, são de menos,
peço-lhe que me desculpe."


(Jangada de Pedra, José Saramago, p. 115 e 106)



dimanche 12 juin 2011

μετάνοια ; - Metanóia

  Das três coisas que os chineses dizem não voltar atrás, a segunda é a palavra pronunciada. Você pode acrescentar por cima quantas quiser, mas jamais poderá desdizê-la.
  Pois gestos impensados podem derrubar mundos.
  E transformam laços em fitas soltas.
  E transformam abraços em acenos.
Transformam risadas leves em sorrisos inseguros.
Transformam expectativa em desesperança.
Transformam desejos em desilusão.
Transformam cada frase num lamento;
todo sentimento em arrependimento...
 ...e medo.
Medo de perder.
Medo de ferir.
Medo de não voltar.

E tudo isso por uma palavra.
Uma sentença.
Uma condenação.
Um golpe.
Uma palavra...

samedi 14 mai 2011

Sobre a Transparência


        E então você percebe que as pessoas têm vidas além de você - vidas alheias à você.
    Elas mostram aquilo que julgam conveniente e você se confunde enquanto procura distinguir o sincero do programado, do que elas se permitem ser.
       Você se pergunta porque elas fazem as coisas dessa forma;
     Se pergunta qual o sentido de se conterem, por que elas têm medo de ser perto de você.
     Você sente os olhos delas fixos em você e se pergunta o que elas desejam com tudo isso.
      Pois, seja lá o que forem, as pessoas nunca o são completamente.


- Ela se pergunta se, por ela alguém realmente sente,
    ou se tudo não passa de um jogo estúpido e triste...

And she wishes she could be some other one...

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"Quem mente, um dia terá todas as suas mentiras caídas sobre seus pés e nada poderá ser feito para consertar as coisas. [...]
O ser humano mente por medo.
Ou pelo simples fato de mentir."

mardi 26 avril 2011

Bloguemorando ...~

"Eu, (...), escrevo essas coisas e não sei a quem me dirijo. Sei que são inúteis e refletem mais um hábito do que mesmo uma necessidade, mas encontro-me de tal modo desesperada que recorro a este meio para não sucumbir totalmente ao meu desamparo. (...) ...talvez seja ainda isto que eu procuro: um esquecimento, um letargo que me faça não diferente do que sou, mas esquecida de mim mesma, como sob o efeito de um entorpecente. Mas a verdade é que eu não sei a quem escrevo nem a quem poderiam interessar essas linhas siméttricas e cheias de compostura que vou traçando laboriosamente sobre o papel. Sei apenas que sinto o quanto em torno de mim as coisas são inóspitas e o quanto eu mesma me converti num ser gelado e triste. Ah, como é difícil reunir essas duas palavras - gelado e triste - compreendo que elas correspondem exatamente ao que existe dentro de nós, a essa coisa pesada, insensível, em que se converteu nosso coração. (...) E aos poucos, com uma lentidão onde há visível crueldade, vou recompondo a fisionomia que conheço tão bem, e que, é inútil dizer, tanta repulsa me causa. Ah, como me detesto, como me desprezo, que tremenda hostilidade interna delineia minha figura exterior. (...) Eu me detesto inutilmente, como se detesta uma víbora ou um sapo, mas também não implica isto nenhuma condescendência com o resto do mundo, pois detesto igualmente os outros, não porque os sinta melhores do que eu, mas porque também a meu ver são ridículos e desprezíveis. Detesto tudo e todos, e é em momentos assim, imóvel diante do espelho, que compreendo exatamente qual é a extensão da frieza que me habita - qualquer coisa funda e sem consolo, opressiva, estagnada, tal como se no meu íntimo tudo houvesse se crestado e, com a força dessa queima, houvesse se perdido qualquer possibilidade que existisse em minha alma, de ternura e de perdão. Não sei dizer por que sou assim, talvez alguém o soubesse dizer em meu lugar. (...) O que sabia, afinal, é este ser no fundo do espelho: move-se de um lado para o outro, pisca, sorri, mas está morto há muito, e o que está morto não ressuscita mais nem do lodo nem da fecundidade."
Ana - pág 270-1 - A Crônica da Casa Assassinada (Lúcio Cardoso)
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Enfim, hoje, 26 de Abril, Terça Feira, meu blog completa um ano de existência.
Raramente posto textos que não são meus (e também acho esquisitíssimo escrever, como agora, como se estivesse falando a um público!), mas acontece que esse trecho me chamou muito a atenção, especialmente pelo início (em itálico).
Sempre tive certo fascínio pelas palavras, por aqueles que conseguem fazer magia com elas. No entanto, em minhas mãos elas sempre ilustraram tristeza e/ou revolta. Por vezes faço textos gigantes, ou penso apenas pequenas frases ou rimas, e eles ficavam perdidos em pedacinhos de papel que eu guardava na gaveta. De certa forma, aquilo era guardar toda a dor, impedir sua dissipação. Então, num ato impulsivo, criei o blog. E eu gostei. Não pensei que fosse durar... Mas cá estou - e ele também: sobrevivemos! E aqui abandono palavras - muitas vezes sem sentido ou enigmáticas para qualquer outro que não eu mesma. "..não sei a quem me dirijo..". Descobri ser essa a mágica dos blogs, a gente não tem medo de quem lerá, a gente deixa pensamentos aqui e, não sei, eles simplesmente ficam.
Não gosto de aniversários... Mas é bom perceber que tão pouco tempo me fez tão bem, me senti mais livre, mais leve, mais íntima dessas minhas velhas amigas, as Palavras, e aprendi a lidar com elas melhor. Não que me julgue uma super escritora, mas meus sentimentos - exagerados, intensos e confusos - agradecem.
~ Por Níniel - A donzela das lágrimas - ou apenas, Maria Eugênia.
Ж

samedi 9 avril 2011

Illusive Hopes


  E, no fim das contas, toda a nossa sobrevivência se baseia em uma única palavra: Imaginacão. É ela o alimento de nossa esperanca; é ela a roda de nossos sonhos. Imaginar as coisas como poderiam ser - ou ter sido - é o passatempo preferido de qualquer pessoa, quer ela saiba disso ou não. Imaginar um lugar, uma pessoa, uma conquista ou um conjunto de tudo isso. Imaginar um momento, um movimento, um som, um olhar. São essas imagens que criamos para nós que nos movem, que fazem com que o coracão em nosso peito salte e com que nós comecemos a sorrir no escuro. São também essas idéias que nos faz cerrar os dentes e chorar olhando para a linha do horizonte.
Por vezes essas cenas tomam conta de nós, passamos a vê-las sem querer, sem esperar por elas. Outras vezes você escolhe retornar a elas diariamente, repensando, mudando, acelerando ou desistindo antes de concluí-la; pois assim pode assistir aos seus desejos mais secretos se realizando todos os dias. Você se arrepia vivenciando seus maiores medos. Você refaz aquela viagem, sente o calor daquelas mãos, ouve de novo aquela risada contagiante cujo eco há tanto tempo se perdeu... Pode ser que você se despeca de alguem novamente, ou retorne àquela briga, passe de novo por aquele mesmo desafio, apenas para poder se ver agindo de outra forma, como se imaginar aquilo pudesse mudar seu passado e consertar tudo aquilo que de alguma forma o feriu. A imaginacão nos faz esperar que as coisas mudem.
Talvez imaginar certas coisas plante uma porcão de medo e receio em nossas mentes. Mas, independente do que nossa razão diga - ou grite -, não é a lógica que nos faz correr atrás, quem semeia sonhos nos locais mais improváveis. Pois é a imaginacão quem faz o coracão se agitar e o impulsiona a arriscar tudo, a fechar o medo num cômodo escuro e esquecê-lo lá.
E se o filho mais novo da Imaginacão é o Medo... Digo que sua filha mais velha é a Esperanca, aquela que, um dia, dara à luz o Sonho.


"You never thought how far
You imagination could fly"
(PS: Estou sem cedilha)

samedi 26 mars 2011

Human Dogs, after all...


"-É o preço do progresso!"
Quanta hipocrisia, quanta mediocridade, quanta estupidez e mesquinhez contidas em tão poucas palavras.
         Ao mesmo tempo, quanta verdade.
A vida em nosso insignificante planeta se esgota cada vez mais depressa. As ameaças à nossa sobrevivência crescem, progredindo geometricamente. O pior é que todo esse caos não gira ameaça apenas a nossa sobrevivência - antes fosse assim -, mas criaturas verdadeiramente inocentes dão suas vidas em nome do bem estar humano, em nome de nossas necessidades inventadas, em nome de um conforto egoísta e um progresso covarde. E chamam a isso EVOLUÇÃO!
Deparamo-nos com esse tipo de justificativa a todo momento, muitas vezes maquiada de boas intenções; assim vamos aprendendo a ignorar, a aceitar e, mais tarde, a usar dessas palavras nós mesmos. Então, você aprende que não pode fugir disso, que não adianta gritar e bater a porta ao passar. Mas, revoltar-se nunca vai ser tão simples como desligar a tevê ou fechar bruscamente um livro se acontece algo que te assusta ou surpreende. Os discursos nunca vão resistir o suficiente, e desmoronarão assim que for possível agir - porque no fundo, não estamos prontos pra assumir toda a responsabilidade, para agir na hora certa, para realmente nadar contra a correnteza quando as comportas são abertas.
Forte demais pra nós? Não. Mas fere o orgulho terminar o percurso com arranhões, é mais seguro ir contra sua própria consciência sendo empurrado por multidões do que obedecê-la sozinho. Por que, no fim das contas, conseguiram nos convencer de que não há nada que possamos fazer. De que "há coisas que nunca vão mudar".
Todo esse descaso com o planeta causa uma espécie de repúgnância e incredulidade, e nós nos perguntamos o que leva às pessoas a dizerem e fazerem certas coisas.
Realmente, mesmo as revoltas ambientalistas tem um fundo egoísta, pois buscam evitar que catástrofes piores destruam o planeta e nos prejudiquem. Mas então volto a dizer que, se fôssemos os únicos prejudicados, então que o planeta se explodisse! No entanto, como espécie, o ser humano é errado em todos os sentidos. Não aceita ocupar seu lugar na natureza, e se vê no direito de mudar outras criaturas de lugar e obrigá-las a "funcionar" de acordo com seus próprios interesses. E, bem, acabamos como seres desumanos. Se não temos um pingo de amor próprio, que ao menos respeitemos o direito do resto do mundo de existir.
No fim das contas, o ser humano é o mau do universo. A humanidade é completamente desnecessária. Aos poucos, cavamos nossa própria sepultura. E a fim de que? De progredir? Sinto muito, mas cadáveres não precisam de máquinas.

"We are the cause of the world that goes wrong.
Nature will survive us, human dogs after all...
(...)
Wouldn't it be great to heal the world with only a song?"
(Créditos, Serj Tankian. Disse tudo.)

dimanche 20 février 2011

Futuro Perdido


      As pessoas crescem e tornam-se incrivelmente tolas. De meu canto escuro observo coisas que chegam a me causar vergonha e uma espécie de desespero simplesmente por estarem ali. Estranhamente, não são as crianças quem mais me fazem rir...
     Os adolescentes parecem viver num universo onde a realidade não passa de algo inatingível. Surpreendem pelo modo como deixam seus desejos mais superficiais tomarem conta de si - sem nenhum tipo de resistência. Será que nunca têm medo de soarem ridículos? Será que nunca hesitam em se fazer de bobos?
     As jovens em constante busca por atenção e aprovação. Os jovens, como crianças, perdem-se em brincadeiras tolas e vazias de sentido; sempre se exibindo e competindo entre si quase (in)voluntariamente. Há algo de difícil ou humilhante em não ser notado, em ser só "mais um na multidão"? Há algo de perigoso em se experimentar ao menos um curto momento de reclusão em si mesmo e não-interferência nas "esferas" alheias?
      Será tudo isso confiança demais - arrogância, por favor - ou auto-estima de menos? Só essas duas opções me vêm à mente como resposta a tanto empenho nessa busca por aprovação e reconhecimento.
       A máxima corrente afirma que os jovens de hoje serão o futuro de amanhã.
       Alguém já se perguntou quanto tempo mais nosso mundo levará para amadurecer?

mercredi 26 janvier 2011

Conformismo


"O que importa não pe o que fizeram de nós, e sim o que fazemos com aquilo que fizeram de nós."
J.P. Sartre

A vida em sociedade nos molda inevitavelmente e, quase sempre, só o percebemos tarde demais. Grandes pensadores, durante todos os séculos - desde épocas além de nossa memória-, falaram, escreveram e questionaram nosso papel como homens. A História é marcada pelos nomes de grandes revolucionários, dos bravos que se levantaram na tentativa de provar que o modo em que as civilizações se desenvolvem não é o natural, tampouco o ideal.
Invariavelmente eles fracassaram. Não suas ideias, mas cada um deles como indivíduo. Alguns foram reprimidos, outros desistiram, e houve aqueles que se fizeram ouvir e alcançaram seus objetivos, pequenos ou grandes - conquistando seu espaço na História do mundo. Mas foram essas conquistas valiosas o bastante para valer o sofrimento por que passaram?
Porém, a covardia humana não nos permite deixar os extremos, aprendemos que há apenas duas trilhas a serem seguidas, e que escolher entre elas é simplesmente escolher entre duas sentenças de infelicidade: A desilusão do Conformismo, onde se aceita que agir é inútil e que não há nada que se possa fazer; ou a revolta que leva ao desafio e à Guerra, onde se pensa que só o barulho e a violência nos levarão a algum lugar. Somos ensinados de modo a pensar que não temos escolha, pois não vale a pena arriscar tudo em nome de um ideal vão e abstrato. Aprendemos a refutar qualquer mínima idéia de atitude contra tudo aquilo que sabemos que pode mudar. Sufocamos nossa sede de mudança, nossos sonhos de criança do mundo perfeito, onde todos os dias eram dias de sol, onde o arco íris viria sem a tempestade. Só que nós crescemos, e esquecemos de tudo isso...
Mas basta abrir os olhos, então percebemos que o fanatismo - para qualquer lado - é ilógico e inútil. Surge a noção do conformismo sem covardia. Pois não dá para fugir da realidade e negar que há limites e moldes, e se torna claro que cabe à nós, dentro dos limites impostos, fazermos o melhor que pudermos com molde que nos deram. Cabe a nós mudarmos o meio, fazendo o possível com aquilo que fizeram de nós.

lundi 10 janvier 2011

Inexistência

Então você olha para trás e vê que nada construiu, nem uma lembrança. Você percebe que, em algum tempo, ninguém pensará em você, ninguém rirá relembrando momentos ou chorará de saudades.

   Você não criou laços, não despertou sentimentos. O espaço em que você esteve não será um vazio quando você se for. Você não passou de uma sombra. Não houve quem se importasse de verdade. Não houve quem sentisse algo por você. Não houve que sentisse você.
Conforme-se: Você nunca existiu.
Para ninguém.

"Não remexa o amargor da taça que preparei para mim mesmo.
Já não o provei por muitas noites em minha boca,
pressentindo que um sabor ainda pior estava no fundo?"
Denethor - O Senhor Dos Anéis (vol.único) pág 860