dimanche 2 septembre 2012

O Absurdo

           É que então vem  o cansaço. Um tédio de morte em um ar abafado.
         É que então um peso enorme me acomete, como se sustentasse o mundo inteiro. Como se todas as eras tivessem passado por sobre mim. Como se todos os sorrisos sorridos fossem fendas de minha própria boca. Como se todas as lágrimas derramadas fossem o meu próprio pesar - arrancado e liquefeito. Como se tivesse eu morrido todas as mortes. Como se tivesse eu vivido todos os longos anos que seguem cada nascer. É que de repente o mundo me puxa para baixo - uma gravidade insana a levar cada instante. E é como se todas as experiências tivessem me ocorrido sobre o corpo fraco - desgastando-me a mente. E fui eu a lutar cada guerra, a sustentar cada coroa, a ser dilacerada por toda espada e atravessada por cada flecha.
           E foi sobre mim que caiu a neve. E foi de mim que rolou cada gota de chuva, que suou todo o orvalho na aurora. Foi dos restos de minha ruína que caíram as pedras. Meus ossos ergueram montanhas e meu suspiro as derrubou. E cada gota do meu sangue se esvaiu em dilúvios pelo universo. E cada estrela partiu de mim.
         E então me vejo: débil. Nesse constantemente nascer, me perder, e partir. E o mundo se me pesa. Como se eu o sustentasse. Inteiro.
           É que eu nasci todas as vidas.
           É que, a cada dia, eu morri todas as mortes.

           É que então eu sou um fragmento da Ilha. É que eu me sinto o Continente inteiro. Fragmentado.

           E eu me sinto tão fraca. Tão... velha.

           E os sinos... Os sinos estão tocando.

dimanche 19 août 2012

Fome


Pt I -Ânsia

Ele está dando murro em ponta de faca. Ele está berrando para as paredes. Está estourando a garganta e vendo os rasgos profundos em sua carne. E ainda assim não dá para apenas virar as costas e ir embora.
Por fim, ele está se jogando contra esses muros, todos cobertos de chapisco. Ele está quebrando os dentes nesses imensos cadeados. Está perdendo as unhas escavando concreto. Está se arruinando, sabe disso. E ainda assim, não dá para ver?

Debaixo da janela existe um zumbi, um saco de ossos envoltos em papel quebradiço, encardido em sangue seco, existe o gosto salgado, sombra distante do choro que conheceu um dia, existe o desespero e o completo automatismo. Insistindo por razões que desconhece, permanece em movimentos programados.
Ele é um caçador. Ele é uma máquina. Seu trabalho é devorar.


Pt II - Transição

Um dia, deram-lhe corda, e ali ficou, fazendo ele mesmo não sabia o quê.
Uma mão invisível recolocou-o em movimento, e ele se perguntando o que haveria por vir. Eu sabia – no início. Havia nele um impulso por algo sem nome, era a música que não podia calar, eram as partículas que ainda restavam. A última gota, o último fio inteiro da trança. Calou. Sumiu. Rompeu. E agora? Agora é gritar sem cordas vocais, esmurrar com as mãos quebradas, esfolar o pé chutando o cimento. É tentar alcançar e tomar com suas garras pútridas novamente. Em toda sua existência tranqüila nada havia feito passar por sua cabeça que esse tipo de ímpeto existisse e que essas aberrações fossem mais do que ficção. Ele nunca achou que chegaria a esse ponto, correndo atrás de órgãos quentes e pulsantes, comprazendo-se ao sentir partirem-se as lascas de unhas e o couro ressequido entre seus dentes tortos, lambuzando os dedos no sangue fresco, estremecendo à simples idéia de tê-los ao alcance.
Ah, mas isso foi antes. Foi antes e ele agora é morto. Foi antes e ele agora é vivo. E como tal, anseia por alimento. Ah, ele vai insistir até o final, até encontrar o coração suculento atrás dessa porta. E ele vai encontrar, ele vai.


Pt III - Loucura

Ela está trancada. Ele não ouve o pulsar. Ele não sente o cheiro. No entanto, está ali. Ele sente o choque que percorre seu corpo ossudo, o tremor no contato com a parede. Ofegante. Suando. Há gotas de sangue no cadeado. Tem de haver vida!
Ele recomeça – renovado. Vai dando murros em ponta de faca, vai berrando p’ras paredes. Ele pode morrer centenas de vezes nessa busca. Ainda assim, não dá para se trancafiar para sempre.
Uma hora, vão ter de abrir.

mardi 7 août 2012

Repugnō




Bobagens. Dramas. Pirraças.
"Ver um hipócrita sangrar", é bem isso mesmo.
Orgulho. Fachada. O reflexo estúpido que tenta enxergar.
Sem pensar, cede. O retorno aos impulsos mais puros, às atitudes mais transparentes. O instinto básico da vingança aflorando pela armadura - aquela perfeita e intransponível. Not anymore.
Passados o desespero e a raiva - que, obviamente, seria mais bonito fazer que não sente - a recomposição.
Indiferença e sobriedade. Sério, mesmo? Por favor! - É claro que não!
Não se esforce, é vão. Não tente apagar esse passado, tão presente, e não tão nobre.
Encenação. Você acredita que, depois de tudo, vão acreditar? Como finge. Como fingem. Descaradamente.

vendredi 20 juillet 2012

O Hino Final

E o mundo segue adiante.
E enquanto ele segue, desmorona.
E enquanto a ele eu sigo...
Eu canto.


       Todos esses que ficaram no caminho, todos esses deixados para ir embora. Todos os que nunca souberam e também os que entenderam perfeitamente. Os que, por um motivo ou outro, simplesmente misturaram-se ao horizonte como névoa. Distância. Tempo. Incompreensão.
          Os nomes.
        Nomes daqueles que fugiram, escorrendo pelos vãos. Dos que houve fraqueza demais para agarrar, orgulho demais para insistir. Dos que as mãos hesitantes não seguraram. Dos que a voz pouco confiante não chamou, nem em sussurros roucos, e para quem não se deixou nem mesmo um último olhar. Os nomes. Dos que foram perdidos e dos que perderam. Dos que se deixou passar. Dos que não desconfiaram ser mais do que aquele nada graças à resistência, uma recusa, uma persistência tola contra a ideia dolorosa de abrir mão da estrada. Curvou-se.

        Curvei-me.

      Ao alcançá-la, sei que serão os seus rostos em meus olhos, serão os seus nomes ecoando em meus ouvidos. Porque eu nunca me esqueço - e cada um devia saber. Eu guardei cada cor para me lembrar do tamanho da ferida. Eu guardei cada letra para colocar em meu lamento.
       E então, quando eu alcançá-la, eu acenarei, lá de cima, e vocês me verão. Ao menos, eu os verei. E eu farei o que me consumo fazendo todos os dias sem que tenham consciência. Eu vou cantar. Não vou retornar, não vão perdoar. Ainda assim, bem no alto, do topo da minha Torre, eu vou cantar. Eu gostaria de qualquer entendimento, mas não haverá meios para explicar. Portanto, eu vou apenas cantar. Lá eu vou cantar todos os seus nomes. Todos eles. Cada um deles. Apenas. Eu vou cantar.

mercredi 4 juillet 2012

Tired


- Precipitação. Fúria cega. Estereótipos. Alteração.
Descontrole. Vozezinhas perfurantes. Frustração. Encenação. Pseudo-intelectualismo.

Sinceramente:
Isso não é opinião.
É repetição.



Poderia, por favor, me deixar em silêncio?

samedi 16 juin 2012

Mentíforas



Metáforas...

Eu costumava gostar. Costumo. Não passam de eufemismos. De medo. De covardia para tirar da frente esse véu que embaça a própria imagem, a imagem do outro, o universo. Essa falta de coragem - ou talvez de criatividade - para colocar as coisas exatamente como são. A verdade, nua e crua. Sim, é por isso que eu gosto... Covardia.
Quem chora não enxerga os diamantes molhando suas mãos. Quem grita não sente as correntes se partindo. Quem foge não está acompanhado pela solidão.
Só quem enxerga essas fantasias é quem esconde, é quem teme, é quem se esforça por negar a verdade que sabe não poder derrotar.

Escuridões, poesias, mentiras.
Grandes mentiras. Seres decrépitos maquiados por eufemismos.
Vê? Metáforas de novo.
Mentiras eufeminadas.
Mentíforas.

mardi 29 mai 2012

O Gráfico da Felicidade*

- (...) e então há esse gráfico da felicidade que criei - começou ele, desenhando os eixos coordenados e traçando uma linha paralela à Ox com y positivo - Essa é a tristeza. O estado natural do homem é esse, o homem nasce triste. A tristeza é uma constante, e o resto são variáveis. Se considerarmos agora... - e traça uma nova linha, dessa vez ondulada, ao longo do gráfico, cortando a primeira em vários pontos. - ... tem esse novo fator. Essa é a felicidade. Como todos nascem como uma "folha em branco", ou seja, tristes, essa linha começa no zero, e de acordo com acontecimentos externos, ela ir;a subir e descer. São precisos momentos bons para se estar feliz e fazer o gráfico subir. No entanto, a simples ausência deles o traz de volta ao estado de tristeza. Ou seja, você não precisa de momentos tristes para estar triste, mas, a partir do momento em que a linha da felicidade estiver abaixo da linha constante da tristeza, você sente a queda porque pôde estabelecer uma base de comparação com o pico em que estava. Sim, se você se entristece é porque o padrão muda e, em um pico, você cria uma expectativa que será frustrada no próximo vale, dando origem à sensação de que sua tristeza aumentou quando, apenas, ela reapareceu, tornando-se novamente visível na baixa da alegria. Acima da constante: feliz. Abaixo: triste. - ...

- É... mas... e essa parte aí no meio, onde elas se cruzam?

- Ah, então, esse ponto de encontro é neutro, você fica indiferente a tudo. Só isso.

- ... errado! Esse ponto é onde tudo se cancela, onde não restou nada - nem indiferença. As coisas continuam acontecendo sem atingir um ápice ou deixar o gráfico cair. Esse ponto é onde ninguém suporta, é onde se enlouquece. É a ausência, o vazio completo. É aí onde você perde toda a capacidade de sentir, tem a impressão de que seu coração parou e já não te acompanha o corpo ou a alma - de repente parou e só, como se fosse simples assim, ou se dissolveu entre seus músculos e as costelas. Desapareceu. Esse não é o ponto em que você simplesmente não liga para nada; aqui, você está oco, evacuado, esgotado. E se você iria dizer "algo como um buraco negro no peito", nem precisa abrir a boca. Buracos negros têm matéria, mas, nesse ponto, você não tem nada.

Oh, sim, é claro. Isso foi o que ela calou.
Na realidade, ela abaixou a cabeça e voltou a ler.




*A idéia do gráfico é, na realidade, roubada de um professor de matemática.

dimanche 13 mai 2012

Pride


E traz atitudes medíocres de forma inacreditavelmente eficiente.
O homem sem máscara, a cara despida em sangue e carniça. A podridão exposta.
Será que não têm vergonha do enojamento e da náusea que causam os vermes que derramam aos baldes pelas bocas?

Quem sabe.
Mas o Orgulho é um bolo grande demais para passar por suas gargantas estreitadas pelo inflar da vaidade.

lundi 23 avril 2012

O Ritual


Não se trata de obrigatoriedade acadêmica. Não deveria. É, sim, uma questão de compreensão, de clareza, de criação... de magia. E o entende quem consegue ver para além de palavras difíceis e frases longas - quem acredita que cada letra tem vida, tem a paixão de quem escreve e a sede de quem a lê. Pois que cada palavra constrói uma história que bem poderia ser a sua, e o enche de um sonho daquilo que poderia ser. E eu acredito que estórias - mais do que histórias - modificam, provocam, transformam.
E não estou me referindo às suas morais.
Há cores de matizes inimaginadas acrescentadas a cada grão de poeira, e uma harmonia nos infinitos tons presentes nos pentagramas ocultos em versos. Há sabor no não dito, e uma textura única naquilo que só se experimenta através de palavras.

Todos os minutos serão a hora certa para quem sabe não poder abandonar a responsabilidade sobre aquelas vidas sem dar-lhes antes a dignidade de um final. Esse direito não lhe cabe. Pois que ler, como escrever, é ter o destino de muito nas mãos. Quem escreve traça o destino, mas é quem lê quem realmente decide por sua concretização, não havendo heresia maior do que deixar tantos caminhos inconclusos, como se um vendaval arrancasse as páginas, desfazendo as tramas e perdendo-as no ar; como um relógio cuja bateria acabou; como a respiração que cessa antes de um mergulho do qual não se tornará à superfície.
Perfura-se assim o ventre: o mundo segue adiante, enquanto para todos aqueles o tempo pára. Estagnado.
Abandonado.
Não morto, não vivo.
Abortado.
E pouco importam comédias fúteis ou amores televisivos. Importa O Livro, assim, maiúsculo, com sua essência crua e gelada, para ser derramada pelos olhos até talvez o fundo daquilo que a chamam alma. Existem ali a realidade e a poesia. A metáfora e a ironia. A rudeza e a maestria.
O contraste.
Existe uma suavidade oca a lançar laços, prendendo, hipnotizando, e terminando por enredar nessa teia do qual não se escapa. A utopia, o conto de fadas. Esse mundinho de euforia do qual os mais vazios se alimentam e com o qual se justificam, repleto de uma filosofia tola atrás da qual se escondem esses todos que não entendem o sentido e não vêem razão, precisando se agarrar a um conto de princesas que não acontecerá.
Então tudo se desmancha e enredada na teia uma nova realidade se descortina. E ali existem a violência e o grotesco enojando ao desfilar tão perto, asquerosa apontando o dedo - quando não a mão inteira -  para mostrar o que se é. A desconstrução, a tragédia. Esse mundo vil para o qual se fecham os olhos, onde o sangue é recolhido em baldes e o som de fuzis faz a trilha sonora, um lugar onde a farsa é o traje de gala e mascarar-se é ritual sagrado. Esse mundo onde vivemos todos, onde vive cada um. Uma dimensão real demais para não ser tocada e que se exibe para se tornar muitas vezes mais desprezível.
Não é mera diversão. É desafio. As páginas oferecem o ideal para que se derrube o real. Há que se ter força para receber na face o diagnóstico da inutilidade que se representa no universo, assim como para formular por si próprio o veredicto e enxergar uma sociedade condenada. Não se trata mais do romantismo superficial. Ler é um exercício de imaginação e de entendimento. Mas é também de descrença e de desilusão. Com tantas realidades caindo como flechas sobre as cabeças, o medíocre da que se habita grita não se deixando ignorar. E, desacreditando, se busca o outro, se forma o Novo Mundo. No mais íntimo ele é criado para ser habitado. Até que uma porta se abra e o traga à tona.
Mais do que desconstrução ou sonho. Descrença ou confiança. Desprezo ou tolerância. Ficções não são regra para se desvendar universos que são, que foram, que seriam. A menor oração edifica, na mente, o universo por que se anseia. Oras!, eles fornecem algo a ser agarrado, refúgio, proteção. A grandeza que não existe fora, a pureza e a verdade. Eis que então, esses pequenos amontoados de celulose sugerem algo distinto. Uma ilha única e particular, uma frágil esfera que tentam sufocar. Um universo que meras estórias proporcionaram conferindo realidade a essa grande ficção que vivemos. E sem livros, ah, sem eles não haverá sentido nesse muito de imagens que é a realidade, esse mundo morto fadado a uma existência estúpida.
 Quem sabe tudo isso seja uma bobagem não muito confiável saída de uma que se nutre dessas vidas, em cujas veias dispostas em versos correm rios letras que, muito provavelmente, rimam pareadas nos capilares. Talvez sejam apenas paixõezinhas tolas ou romantismos tão cheios de contradição que façam sentido nenhum a qualquer outro. O mais certo é ser cada palavra dessas um exagero a se esquecer e ignorar, portanto, perdão pelo palavrório inútil e terrivelmente tendencioso. Aliás, seria injusto pedir perdão, negando-me. Mas ler é contradizer-se, não? Encontrar respostas demais e coerência de menos entre elas. Ter inúmeras verdades. Não acho mesmo que a leitura é a única salvação ou algo assim, mas afinal, impossível seria dizer diferente, pois sou um pequeno nada apoiado em literatura, não posso fugir a quem sou. E que despreze quem não compreende, desconsidere toda essa torrente, esse mundo múltiplo que se anula ao se levantar, essa onda de razões desconexas e os argumentos tão suspeitos, dess(A) menina que lê.


"Escrever é esquecer. A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida. A música embala, as artes visuais animam, as artes vivas (como a dança e a arte de representar) entretêm. A primeira, porém, afasta-se da vida por fazer dela um sono; as segundas, contudo, não se afastam da vida - umas porque usam de fórmulas visíveis e portanto vitais, outras porque vivem da mesma vida humana. Não é o caso da literatura. Essa simula a vida. Um romance é uma história do que nunca foi e um drama é um romance dado sem narrativa. Um poema é a expressão de ideias ou de sentimentos em linguagem que ninguém emprega, pois que ninguém fala em verso."
(Fernando Pessoa) 


PS: Imagem, Book Of Books, Wladmir Kush

dimanche 1 avril 2012

As Ditas Puras


(...)
As ditaduras começam dentro de casa, da escola, dos grupos de amigos, das empresas. As rádios dizendo o que ouvir, os pais dizendo em que acreditar, os professores dizendo como agir, os chefes dizendo aonde se aliar. As relações pessoais tornaram-se pequenos contratos. Ligar-se a alguém deixa subentendido que você adequará alguma opinião, hábito ou preferência.
E que não digam que os pais só querem o melhor, os professores tentam ensinar “o mundo lá fora”, os amigos só aconselham, enfim. A verdade é que cada pessoa tenta se projetar no próximo, tenta conquistar no próximo o que não conquistou em si, tenta ser aceita ao fazer o outro acreditar. Não é pior do que a tevê, e olha que ela é vilã. As empresas e governos não abandonaram os hábitos das ditaduras de usar dos meios de comunicação para “propagandearem” a si mesmos e maquiarem suas feridas. Ao contrário, fazem-no com muito maior intensidade ao carregar a bandeira a livre expressão e da verdade, e dispensam das pessoas o trabalho de procurar melhor. Sim, porque a verdade está à solta, em algum lugar – eis a grande diferença entre os dias de hoje e os dias de repressão. Mas quando se vê tanta informação junta em um discurso tão bonito sabendo que “nesse mundo a comunicação é livre”, quem é que vai duvidar?
Nascem preconceitos mesquinhos, não os de cor ou classe. As pessoas são classificadas e usam de estereótipos para parecerem melhores: é o preconceito em relação ao conhecimento, às preferências, às crenças, à vestimenta ou ao modo de falar. Uma fala inteligente e qualquer aspecto pessoal pode ser rebaixado como ignorante ou fútil – palavras cada vez mais usadas para se sobrepor e definir o que é realmente original e de qualidade.
Entendem o ponto? Vive-se o falso liberalismo. As pessoas são discriminadas por suas escolhas. As correntes que calam não são físicas, basta usar um tom debochado e qualquer um perde a credibilidade, violentado naquilo que acredita. E as crianças já nascem nesse meio, sendo doutrinadas e ensinadas para o certo. Doutrinadas para o que falar, o que fazer, o que vestir. Doutrinadas para serem o que seus adultos são. Como chamá-las ditaduras do bem? Doutrinas. Censuras. Propaganda. Violência. Não... A diferença não é tão grande assim.

"None are more hopelessly enslaved than those who falsely believe that they are free..."