dimanche 13 mai 2012
Pride
E traz atitudes medíocres de forma inacreditavelmente eficiente.
O homem sem máscara, a cara despida em sangue e carniça. A podridão exposta.
Será que não têm vergonha do enojamento e da náusea que causam os vermes que derramam aos baldes pelas bocas?
Quem sabe.
Mas o Orgulho é um bolo grande demais para passar por suas gargantas estreitadas pelo inflar da vaidade.
lundi 23 avril 2012
O Ritual
Não se trata de obrigatoriedade acadêmica. Não deveria. É, sim, uma questão de compreensão, de clareza, de criação... de magia. E o entende quem consegue ver para além de palavras difíceis e frases longas - quem acredita que cada letra tem vida, tem a paixão de quem escreve e a sede de quem a lê. Pois que cada palavra constrói uma história que bem poderia ser a sua, e o enche de um sonho daquilo que poderia ser. E eu acredito que estórias - mais do que histórias - modificam, provocam, transformam.
E não estou me referindo às suas morais.
Há cores de matizes inimaginadas acrescentadas a cada grão de poeira, e uma harmonia nos infinitos tons presentes nos pentagramas ocultos em versos. Há sabor no não dito, e uma textura única naquilo que só se experimenta através de palavras.
E não estou me referindo às suas morais.
Há cores de matizes inimaginadas acrescentadas a cada grão de poeira, e uma harmonia nos infinitos tons presentes nos pentagramas ocultos em versos. Há sabor no não dito, e uma textura única naquilo que só se experimenta através de palavras.
Todos os minutos serão a hora certa para quem sabe não poder abandonar a responsabilidade sobre aquelas vidas sem dar-lhes antes a dignidade de um final. Esse direito não lhe cabe. Pois que ler, como escrever, é ter o destino de muito nas mãos. Quem escreve traça o destino, mas é quem lê quem realmente decide por sua concretização, não havendo heresia maior do que deixar tantos caminhos inconclusos, como se um vendaval arrancasse as páginas, desfazendo as tramas e perdendo-as no ar; como um relógio cuja bateria acabou; como a respiração que cessa antes de um mergulho do qual não se tornará à superfície.
Perfura-se assim o ventre: o mundo segue adiante, enquanto para todos aqueles o tempo pára. Estagnado.
Abandonado.
Não morto, não vivo.
Abortado.
E pouco importam comédias fúteis ou amores televisivos. Importa O Livro, assim, maiúsculo, com sua essência crua e gelada, para ser derramada pelos olhos até talvez o fundo daquilo que a chamam alma. Existem ali a realidade e a poesia. A metáfora e a ironia. A rudeza e a maestria.
Perfura-se assim o ventre: o mundo segue adiante, enquanto para todos aqueles o tempo pára. Estagnado.
Abandonado.
Não morto, não vivo.
Abortado.
E pouco importam comédias fúteis ou amores televisivos. Importa O Livro, assim, maiúsculo, com sua essência crua e gelada, para ser derramada pelos olhos até talvez o fundo daquilo que a chamam alma. Existem ali a realidade e a poesia. A metáfora e a ironia. A rudeza e a maestria.
O contraste.
Existe uma suavidade oca a lançar laços, prendendo, hipnotizando, e terminando por enredar nessa teia do qual não se escapa. A utopia, o conto de fadas. Esse mundinho de euforia do qual os mais vazios se alimentam e com o qual se justificam, repleto de uma filosofia tola atrás da qual se escondem esses todos que não entendem o sentido e não vêem razão, precisando se agarrar a um conto de princesas que não acontecerá.
Então tudo se desmancha e enredada na teia uma nova realidade se descortina. E ali existem a violência e o grotesco enojando ao desfilar tão perto, asquerosa apontando o dedo - quando não a mão inteira - para mostrar o que se é. A desconstrução, a tragédia. Esse mundo vil para o qual se fecham os olhos, onde o sangue é recolhido em baldes e o som de fuzis faz a trilha sonora, um lugar onde a farsa é o traje de gala e mascarar-se é ritual sagrado. Esse mundo onde vivemos todos, onde vive cada um. Uma dimensão real demais para não ser tocada e que se exibe para se tornar muitas vezes mais desprezível.
Não é mera diversão. É desafio. As páginas oferecem o ideal para que se derrube o real. Há que se ter força para receber na face o diagnóstico da inutilidade que se representa no universo, assim como para formular por si próprio o veredicto e enxergar uma sociedade condenada. Não se trata mais do romantismo superficial. Ler é um exercício de imaginação e de entendimento. Mas é também de descrença e de desilusão. Com tantas realidades caindo como flechas sobre as cabeças, o medíocre da que se habita grita não se deixando ignorar. E, desacreditando, se busca o outro, se forma o Novo Mundo. No mais íntimo ele é criado para ser habitado. Até que uma porta se abra e o traga à tona.
Mais do que desconstrução ou sonho. Descrença ou confiança. Desprezo ou tolerância. Ficções não são regra para se desvendar universos que são, que foram, que seriam. A menor oração edifica, na mente, o universo por que se anseia. Oras!, eles fornecem algo a ser agarrado, refúgio, proteção. A grandeza que não existe fora, a pureza e a verdade. Eis que então, esses pequenos amontoados de celulose sugerem algo distinto. Uma ilha única e particular, uma frágil esfera que tentam sufocar. Um universo que meras estórias proporcionaram conferindo realidade a essa grande ficção que vivemos. E sem livros, ah, sem eles não haverá sentido nesse muito de imagens que é a realidade, esse mundo morto fadado a uma existência estúpida.
Quem sabe tudo isso seja uma bobagem não muito confiável saída de uma que se nutre dessas vidas, em cujas veias dispostas em versos correm rios letras que, muito provavelmente, rimam pareadas nos capilares. Talvez sejam apenas paixõezinhas tolas ou romantismos tão cheios de contradição que façam sentido nenhum a qualquer outro. O mais certo é ser cada palavra dessas um exagero a se esquecer e ignorar, portanto, perdão pelo palavrório inútil e terrivelmente tendencioso. Aliás, seria injusto pedir perdão, negando-me. Mas ler é contradizer-se, não? Encontrar respostas demais e coerência de menos entre elas. Ter inúmeras verdades. Não acho mesmo que a leitura é a única salvação ou algo assim, mas afinal, impossível seria dizer diferente, pois sou um pequeno nada apoiado em literatura, não posso fugir a quem sou. E que despreze quem não compreende, desconsidere toda essa torrente, esse mundo múltiplo que se anula ao se levantar, essa onda de razões desconexas e os argumentos tão suspeitos, dess(A) menina que lê.
"Escrever é esquecer. A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida. A música embala, as artes visuais animam, as artes vivas (como a dança e a arte de representar) entretêm. A primeira, porém, afasta-se da vida por fazer dela um sono; as segundas, contudo, não se afastam da vida - umas porque usam de fórmulas visíveis e portanto vitais, outras porque vivem da mesma vida humana. Não é o caso da literatura. Essa simula a vida. Um romance é uma história do que nunca foi e um drama é um romance dado sem narrativa. Um poema é a expressão de ideias ou de sentimentos em linguagem que ninguém emprega, pois que ninguém fala em verso."
(Fernando Pessoa)
PS: Imagem, Book Of Books, Wladmir Kush
dimanche 1 avril 2012
As Ditas Puras
(...)
As ditaduras começam dentro de casa, da escola, dos grupos de amigos, das empresas. As rádios dizendo o que ouvir, os pais dizendo em que acreditar, os professores dizendo como agir, os chefes dizendo aonde se aliar. As relações pessoais tornaram-se pequenos contratos. Ligar-se a alguém deixa subentendido que você adequará alguma opinião, hábito ou preferência.
E que não digam que os pais só querem o melhor, os professores tentam ensinar “o mundo lá fora”, os amigos só aconselham, enfim. A verdade é que cada pessoa tenta se projetar no próximo, tenta conquistar no próximo o que não conquistou em si, tenta ser aceita ao fazer o outro acreditar. Não é pior do que a tevê, e olha que ela é vilã. As empresas e governos não abandonaram os hábitos das ditaduras de usar dos meios de comunicação para “propagandearem” a si mesmos e maquiarem suas feridas. Ao contrário, fazem-no com muito maior intensidade ao carregar a bandeira a livre expressão e da verdade, e dispensam das pessoas o trabalho de procurar melhor. Sim, porque a verdade está à solta, em algum lugar – eis a grande diferença entre os dias de hoje e os dias de repressão. Mas quando se vê tanta informação junta em um discurso tão bonito sabendo que “nesse mundo a comunicação é livre”, quem é que vai duvidar?
Nascem preconceitos mesquinhos, não os de cor ou classe. As pessoas são classificadas e usam de estereótipos para parecerem melhores: é o preconceito em relação ao conhecimento, às preferências, às crenças, à vestimenta ou ao modo de falar. Uma fala inteligente e qualquer aspecto pessoal pode ser rebaixado como ignorante ou fútil – palavras cada vez mais usadas para se sobrepor e definir o que é realmente original e de qualidade.
Entendem o ponto? Vive-se o falso liberalismo. As pessoas são discriminadas por suas escolhas. As correntes que calam não são físicas, basta usar um tom debochado e qualquer um perde a credibilidade, violentado naquilo que acredita. E as crianças já nascem nesse meio, sendo doutrinadas e ensinadas para o certo. Doutrinadas para o que falar, o que fazer, o que vestir. Doutrinadas para serem o que seus adultos são. Como chamá-las ditaduras do bem? Doutrinas. Censuras. Propaganda. Violência. Não... A diferença não é tão grande assim.
"None are more hopelessly enslaved than those who falsely believe that they are free..."
samedi 10 mars 2012
Prémiere tentative en français
C'était dans la plage.
J'étais une petite fille de seulement quatre ou cinq ans. J'avais peur de la mer à cause de les requins, et je faisais des efforts pour me mantenir en jouant sur la sable avec mes pieds très loin de l'eau.
À cette époque, nous avions d'habitude de voyager tous les ans, et cette était ma première fois dans la plage. Mon frère aimais d'être en mer, ou courir partout, comme des petits garçons de son age quand ils sont dans un vaste endroit inconnu. Dans cette époque, j'avais un père drôle, et il allais au fond du mér, lá-bas, loin, avec ma petite soeur toute heureuse dans ses bras.
Moi... J'étais très sérieuse... Je preferais faire des chatêaux de sable avec mes petits outils et mon seau rouge. Parfois, ma mère me prenait pour la main jusqu'au bord de la mer, et me demandait de mouiller mes pieds... - Je me souviens de l'odeur salé et humide de les vagues. Alors, je prenais la sable foncée et mouillée de cet endroit pour jouer, toute seule, un peu plus...
C'était le plus fond que je pouvais plonger sans rêver aves les requins...
À cette époque, nous avions d'habitude de voyager tous les ans, et cette était ma première fois dans la plage. Mon frère aimais d'être en mer, ou courir partout, comme des petits garçons de son age quand ils sont dans un vaste endroit inconnu. Dans cette époque, j'avais un père drôle, et il allais au fond du mér, lá-bas, loin, avec ma petite soeur toute heureuse dans ses bras.
Moi... J'étais très sérieuse... Je preferais faire des chatêaux de sable avec mes petits outils et mon seau rouge. Parfois, ma mère me prenait pour la main jusqu'au bord de la mer, et me demandait de mouiller mes pieds... - Je me souviens de l'odeur salé et humide de les vagues. Alors, je prenais la sable foncée et mouillée de cet endroit pour jouer, toute seule, un peu plus...
C'était le plus fond que je pouvais plonger sans rêver aves les requins...
(Septembre/2011)
(Perdão pelos possíveis erros. Soeur Servula entenderá. )
mercredi 22 février 2012
Sobre o Ódio
Sobre o ódio... não passa de preguiça e covardia.
Amor frustrado. Esperança decepcionada. Ilusão desmascarada.
E quando todas as suas expectativas não são correspondidas, você passa a maldizê-las. Acusa seu alvo e passa a dirigir-lhe ofensas e desprezo quando, na verdade, tudo isso não é mais do que um disfarce, uma tentativa de diminuir a sua culpa e lançá-la em outro. Uma forma de convencer a si mesmo de que a vítima é você.
No entanto - e lá no fundo isso é verdade -, você só lança aos outros as maldições que esperava que lançassem a você.
E todo esse teatro é apenas sua falta de coragem para se olhar no espelho e fazê-lo você mesmo. Falta de coragem para engolir o orgulho. Falta de coragem para abrir os olhos.
dimanche 12 février 2012
Doom
"Acho que o mundo vai acabar em preto e branco, igual a um filme antigo.
(Cabelo preto como carvão, amor, pele branca como a neve.)
Talvez, enquanto haja cores, consigamos sobreviver.
(Lábios vermelhos como sangue, procuro sempre me lembrar.)"
(GAIMAN, Neil. Coisas Frágeis II;
p. 158; Páginas de um diário encontrado numa caixa de sapatos [...])
p. 158; Páginas de um diário encontrado numa caixa de sapatos [...])
jeudi 2 février 2012
Last years, First Days.
(02/Fevereiro/2011)
Ela foi se afastando depressa, andando mais rápido do que os outros.
Seus pés - em meio à balbúrdia - soavam destacados dos outros aos seus ouvidos. Ecoavam solitários e incessantes.
E ela ia repetindo mentalmente, em ritmo constante:
- ALways-Alone
- ALways-Alone
- ALways-Alone
- ALways-Alone
- ...
(02/Fevereiro/2012)
(Escola é sempre um ambiente bom para se inspirar. Fui descobrindo isso.)
jeudi 26 janvier 2012
Poeira
E poderia ser mais simples e menos doloroso. Um vento forte sopraria e então tudo seria levado. As palavras voariam do papel sem deixar marcas, cada letra se soltaria numa onda,pairando, por instantes, ao nível dos olhos, para então ser arrastada até perder-se de vista no horizonte. Suave, imperceptível. Nem sombra ficaria e o que agora é passado pouco importaria. À exceção daquele pequeno instante em que flutuou, dançando ao sabor do vento num grave vai e vem, um último rodopio para marcar a passagem. Restaria, então, apenas essa imagem - um relance, uma fração dessas que vez por outra nos caem na cabeça com aquele baque surdo antes de dormir, trazendo sonhos... e perdendo-se de novo.
Contudo. Não. Ele é mais cruel do que isso. Nada sutil, por que isso não é dele. O Tempo não apaga, ele esfrega com força, borra a tinta, amassa o Papel. Faz nele rasgos e dele farelo.
(00:04 ; 12-13/Jan/2012)
lundi 16 janvier 2012
Apreciação
Estava sentada no sofá, sentindo com alívio um friozinho reconfortando vindo do vento de chuva. Sim, é claro: havia chuva, e ela sempre escreveria quando houvesse chuva, não há dúvidas. Naquela madrugada ela não fugiu à regra. Já há algumas horas buscava uma inconsciência que não vinha. Leu até queimar os olhos, fechou-os até sentir o som da chuva preenchendo todo o seu corpo. Mas nem mesmo essa melodia suave lhe serviu de sonífero.
O sino da igreja bateu três, bateu quatro, bateu cinco horas, e ela continuava ali - ouvindo o sino, a chuva fraca, o galo, os ponteiros em ritmo constantes do relógio, o sino, a chuva, as árvores balançando, as camas rangendo, o sino, os atrito dos lençóis, a chuva, o lápis arranhando de modo agradável com seus ruídos sobre o papel, o sino, os estalos da geladeira, a chuva, o sino, a chuva, os ponteiros... Porque agora pouco importava o sono: o sol já ia nascer.
SHHH...
TIC TIC TIC...
BLÉM!
(31/12/2011; 5h 26min)
(Bem infantil e título improvisado apenas para não ficar em branco.)
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